Navegando no Mar da Informação
Por Raniery Pimenta
Natal/RN, 11/03/11
É fato, público e notório que a revolução provocada pelas Tecnologias da Informação mudou a forma como consumidores se relacionam com marcas, funcionários se relacionam com empresas e pessoas se relacionam com pessoas. Na recém iniciada e ainda “não-domesticada” Era da Informação novos paradigmas vêm sendo criados e convivem com os antigos gerando um sentimento confuso na cabeça das pessoas. Esta revolução é voraz e avassaladoramente veloz. Aqueles que obterão sucesso serão aqueles que mais rápido e melhor aprenderem a lidar com os novos paradigmas. Os que não aprenderem serão vitimas como foram aqueles que ainda acreditam em negócios como concertar máquinas de datilografia ou vender música em CD.
A informação, seja ela através de suas tecnologias (Tecnologia da Informação), de seus sistemas (Sistemas de Informação) ou de sua segurança (Segurança da Informação) é a mola mestra desta revolução muito mais informacional que tecnológica.
A Tecnologia da Informação se manifesta das mais diversas formas e se modifica quase tão rápido quanto células do corpo se multiplicam. O Comércio deixou de ser somente comércio e passou a ser eletrônico e depois a não ser somente eletrônico e sim um eletrônico-social que considera os novos aspectos comportamentais dos consumidores que “se encontram na web”. Eles fofocam e ponto. Isso pode ser bom ou ruim para as marcas dependendo da capacidade das empresas de gerar e manter imagens positivas na cabeça das pessoas. Mas quão voláteis são as percepções pessoais ao longo de uma vida? Algo que era até pouco imaculado como a marca Brastemp, sinônimo de qualidade, pode ser arranhada por um consumidor insatisfeito pelo mau atendimento que posta um vídeo no Youtube e comunica suas insatisfações pelo Twitter. Logo, logo, pequenos deslizes que ocorrem em todas as empresas do mundo diariamente viram uma bola de neve e são capazes de arranhar ou mesmo destruir a reputação de uma marca em pouquíssimo tempo.
Vivendo em uma economia onde o capital viaja de Tóquio à São Paulo em questão de segundos (literalmente), esta conectividade impressionante pode destruir marcas, fechar empresas e desempregar famílias de forma assustadora. Na outra ponta desta mesma linha, esta conectividade pode gerar milhões ou bilhões como, por exemplo, no caso do cantor teen Justin Bieber. Seus vídeos estão entre os mais vistos no Youtube e alguém de anos atrás poderia dizer que ele é louco por permitir que as pessoas consumam sem pagar as suas músicas livremente. Os números parecem mostrar que ele não tem perdido nada, já que atualmente tem faturado em média um milhão de reais por final de semana (você já contou quantos finais de semana tem o ano? Melhor não fazer esta conta se não quiser ficar triste com seu salário). Esta é a nova forma de consumir: pessoas falam para pessoas e empresas ganham ou perdem com isso. As empresas de sucesso já perceberam isso e vem trocando a frieza de seus sites institucionais, meramente informativos, por paginas em sites de relacionamento como o Facebook. Os consumidores vão falar, e isto é fato. Cabe às empresas saber o que eles estão falando ou não e aprender a como lidar co isso.
Estes consumidores usam em casa ou no trabalho os – agora tão comuns quanto uma geladeira ou um fogão – computadores para se comunicar, estudar, trabalhar e até para perder tempo. Fora de casa e muitas vezes dentro das próprias lojas antes de comprar, eles acessam os seus smartphones ou tablets e pesquisam nas redes sociais se alguém falou bem ou mal deste ou daquele produto. A concorrência perde as fronteiras físicas e invade a própria loja do concorrente. Como lidar com isso? Os profissionais de marketing e de vendas estão perdendo os cabelos e/ou tendo que tingí-los com maior freqüência.
Tecnologias como as etiquetas inteligentes (RFID), voz sobre IP (VoIP) e a Computação em Nuvem surgem como potencializadores da redução de custos operacionais o que dá fôlego para as empresas poderem continuar concorrendo nesta economia de margens achatadas: O consumidor desta economia de recursos escassos agradece.
Alguém pode se perguntar: Será que ouvi bem? Computação em Nuvens? Isso mesmo a computação, que já era difícil de ser domada em terra firme, agora está nas nuvens e essa é uma das principais revoluções dos sistemas de Informação. Sistemas como ERP, BI, CRM e SCM podem ser potencializados por esta possibilidade de o usuário ter acesso aos seus dados em qualquer lugar do mundo que ele tenha acesso à internet seja através de um computador, um notebook, um smartphone ou mesmo um tablet.
Por fim já ouvi dizer, e passei a acreditar, que “todo negócio diz respeito a informação”. Mas como garantir a segurança deste bem valiosíssimo se ele é extremamente volátil, fluído e até mesmo subjetivo? Para esta tarefa, até mesmo o personagem interpretado por Tom Cruise no bom e velho “Missão Impossível” se arrepiaria. Mas o fato é que cada empresa que deseje ter sucesso na Era da Informação deve buscar o seu próprio método de descobrir que informações realmente precisa; criar uma forma de obter estas informações; entregá-las a quem de fato gera valor para a empresa; e garantir que ela seja usada da melhor forma possível para que a empresa consiga navegar eficientemente neste Mar de Informação.